Pensando a Realidade

Interpretando, reproduzindo e dando forma aos fatos!

Isso é Bahia 2 de setembro de 2009

Filed under: Uncategorized — memoriasdacachola @ 20:05

 

Onde a beleza tem muitas caras, Cores e raças, misturas raras, Peles de ébano de sangue indígena, Olhos que brilham como esmeraldas, Caras mestiças de uma nova era, Como o futuro que está chegando, Sob o sol, no umbigo do mundo e todo mundo está sambando…

Isso aqui é o umbigo do mundo poço sem fundo da imaginação, Deus e o diabo entre o céu e o chão. Selva e cidade, litoral, sertão, ondas sonoras, ritmo, paixão onde os amores se transformam em canção, onde as regras são exceção. Fonte incessante de nova energia, ponto de encontro entre o silêncio e o som […] fonte de esperança de uma nova vida, pulmão de um raça amorosa e sofrida que canta e que dança e que veste de luz a força e a magia dos seus corpos nus sob o sol, no umbigo do mundo essa é a batida que vem lá do fundo (MERCURY, 2003)

 

São Joaquim é um reflexo da identidade baiana, processos de construção social e pessoal, uma fonte infinita de anônimos em busca de um significado comum, mesmo em meio a pluralidade, todos tem o desejo de edificar, para si e em si, uma forma de conduta e expressão, independente do senso comum. O espaço geográfico sempre terá um impulso pela transformação e pela transitoriedade, que atravessa um grupo e ativa um lugar de valores, interpretação e afirmação do acervo cultural (conglomerado de relíquias). Uma síntese que dialoga entre sujeito e objeto.

A feira como cenário típico de uma constante reestruturação histórico-cultural. A intensidade das cores, formas e arranjos sociais. As poluições sonoras, olfativas, visuais compõem o espaço físico e os elementos sensoriais atuam como tradução de uma identidade coletiva. O sujo convive com o limpo, os humanos com os animais, as frutas, legumes, carnes, grãos, ervas convivem com as mãos que lidam com dinheiro, os “objetos mortos” (utensílios vendidos na feira) ganham vida no senso comum e na cultura popular dos donos das barracas.

A grande questão é observar como esse grande centro cultural, tem um papel de mobilidade e inserção na vida e nos moldes de ação de um determinado grupo, que flui nesse espaço um território de produção, seja de conhecimento, respeito, família, integração, conflitos e interatividade, uma resposta quase que instantânea.

O negro, a mulher, as crianças, a força do trabalho, a luta do povo, a correria, a pausa do dia, a alegria de um sorriso vivo e patente, uma riqueza de olhares e modos que chegam, passam e formam ruas, vielas, blocos. A sintonia das ondas chega junto com a infinidade de sabores, sons, cheiros, religiosidade, misticismo sincréticos e raça. Um grande mercado configurado em pequenas representações da diversidade baiana: envolve, intriga, fascina, comove. É lindo ver, sentir e estar, mesmo nas precariedades, a materialização das subjetividades de um povo.

A feira expressa esse lugar de formação de pontos ou forças, uma estrutura que legitima as diferenças e cria zonas de empatia. É uma grande coleção de histórias em movimento, todos querendo comprovar sua existência, fazer seu caminho, construir seu legado. Elementos de uma fuga ou um encontro, de si com o mundo ou do mundo com seus interesses. Uma tradição viva e dialética, um movimento entre povo e seu patrimônio histórico-cultural e também o entrelaçamento da tradição metafísica. Uma atividade de valoração e tradição como objeto de afirmação social, independente das interpretações externas, o que interessa é a materialização de uma expressão coletiva.

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