Pensando a Realidade

Interpretando, reproduzindo e dando forma aos fatos!

Mais uma vez 25 de setembro de 2009

Filed under: Uncategorized — memoriasdacachola @ 12:16

 

“Estamos em greve”. Essa é a frase que vem sendo dita nos últimos meses em Salvador e também em algumas regiões do País. Após a greve dos professores, coveiros, rodoviários, polícia militar, ferroviários, INSS, agora é a vez dos bancários. Os servidores da rede estão em paralisação no interior e na capital. A categoria exige aumento de 10%, participação nos lucros e resultados do empregadores.

 Durante o primeiro semestre do ano de 2009, pelo menos quatro setores foram afetados (segurança, previdência social, transporte, educação). Daí é levantada a questão: até quando? Até quando a população ficará no prejuízo, “pagando a conta” pela má gestão pública? O povo vive em meio a greves, em meio a um jogo contínuo de negociação entre setor público, sindicalistas e servidores. A suspensão dos serviços, que garantem o bom funcionamento da sociedade, gera transtornos e atrasos.

As notícias não são nada animadoras. Segundo pesquisa divulgada no final de julho pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), no ano de 2008 foram contabilizadas 411 greves em todo Brasil. Ainda segundo a pesquisa, o número de greves superou em 30% o ano de 2007. As greves realizadas em 2008 significaram que 24,6 mil horas de trabalho deixaram de ser cumpridas em todo o país.

Além de toda violência que paralisa e intimida a população, o País ainda é tomado por paralisações. Estas, em sua maioria, revelam a falta de comprometimento público com os interesses de ordem comum. Os parlamentares preferem gastar suas horas de serviço, discutindo o aumento de seus salários, do que fazerem reformas no legislativo a fim de modernizar e facilitar a vida da população. O Brasil precisa urgentemente de um movimento, capaz de dar um passo em direção à mudança. Os sintomas são claros e os paliativos ineficazes.

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Parlamentares na Rede 18 de setembro de 2009

Filed under: Uncategorized — memoriasdacachola @ 21:11

Fim da polêmica. Senado aprova emenda que permite o uso da internet para campanha eleitoral em 2010. Os candidatos às próximas eleições terão uma nova ferramenta para convercer seu eleitorado, esta, de valor extremamente relevante no atual cenário que vivemos: o mundo da tecnologia.

A instantaneidade da informação, rapidez e dinâmica de interação permite ao candidato uma proximidade maior com os internautas. Esse fator, vale resaltar, é agregador e não hegemônico. Segundo o Núcleo de Pesquisa, Estudos e Formação (Nupef) apenas cerca de 20% dos brasileiros têm acesso a intenet. A abrangência dessa medida será limitada, concentrada aos grandes centros urbanos, pontua e retrata um público específico.

O eleitorado, cansado das extensivas e nada animadoras campanhas políticas transmitidas pela TV, agora terão mais um canal para conhecerem os “atrativos” projetos de campanha dos parlamentares.

As formas de utilização da rede ainda não são claras e objetivas. Ainda são necessárias discussões e uma formulação do que realmente poderá ser veiculado. O que realmente está liberado? Será que os políticos invadirão as redes de relacionamentos com comunidades ou vídeos no Youtube?

Talvez os políticos brasileiros tenham se inspirado no exemplo do presidente Barak Obama – que utilizou a internet de forma segmentada, eficiente e garantiu uma boa popularidade frente a juventude, uma campanha viral e em um contexto muito diferente do nosso. É um avanço, a prestação de contas e todo o processo eleitoral pode ficar mais claro e tangível, desde que haja uma conexão diplomática e coerente.

 

Sedentarismo zero 11 de setembro de 2009

Filed under: Uncategorized — memoriasdacachola @ 15:51

Faço academia três vezes por semana. Na verdade não gosto muito de exercícios físicos, acordar cedo, aulas aeróbicas, musculação, confesso: não é algo que me dá prazer. A atividade física é indicação médica, um tratamento complementar, sinto muitas dores de cabeça, sofro de enxaqueca desde a adolescência.

Mas não é o exercício em si que me incomoda, acredito que sejam os aparelhos. Um me irrita em particular: a esteira ergométrica. Não gosto da sensação de andar, andar, andar e continuar imóvel no mesmo lugar. Pode parecer estranho, mas caminhar distâncias enormes, por um tempo exaustivo, em uma velocidade média e permanecer parado me dá indisposição.

Esse fator se agrava pelo fato de estar na esteira e ver as pessoas na rua se movendo, seguindo seu caminho, os ônibus cumprindo suas linhas, tudo muito dinâmico, e eu continuo andando parada. Não vejo uma solução clara, nem muito menos simples, afinal preciso me exercitar. Sedentarismo não faz bem a ninguém, nem a mim, nem ao Brasil.

Ainda continuo na esteira, e vem a minha mente como o nosso País se movimenta pouco, como gostamos do comodismo dos nossos sofás e camas, mesmo que isso continue nos dando dores de cabeça, não nos mobilizamos, não travamos luta contra a guerra, não reivindicamos, pelo contrários, estamos acuados. Os governantes dizem que “está tudo sobre controle” e a população continua presa em sua esteira, enquanto os bandidos se movem, queimam os bens de uso da coletividade, ferem o povo com violência e pânico.

Eu como cidadã continuo na esteira, caminhando parada, minha pulsação se eleva ao ver tamanha impunidade e despreparo policial para manter a ordem civil. Meus pensamentos fervem, queimam. Mas talvez seja preferível continuar a caminhar parada, os acontecimentos tem me desanimado a sair às ruas, fazer uma caminhada livre e em paz. O povo caminha nas limitações impostas pelo crime organizado e pela ineficiência de coerção do Estado.

Bem, vou voltar ao meu exercício, pelo menos alguma coisa eu consigo caminhando parada: amenizar a minha enxaqueca. Meu neurologista diz que isso contribui significativamente para baixar o nível de stress do dia-a-dia, o que ajuda muito a conviver com a violência urbana.

 

Isso é Bahia 2 de setembro de 2009

Filed under: Uncategorized — memoriasdacachola @ 20:05

 

Onde a beleza tem muitas caras, Cores e raças, misturas raras, Peles de ébano de sangue indígena, Olhos que brilham como esmeraldas, Caras mestiças de uma nova era, Como o futuro que está chegando, Sob o sol, no umbigo do mundo e todo mundo está sambando…

Isso aqui é o umbigo do mundo poço sem fundo da imaginação, Deus e o diabo entre o céu e o chão. Selva e cidade, litoral, sertão, ondas sonoras, ritmo, paixão onde os amores se transformam em canção, onde as regras são exceção. Fonte incessante de nova energia, ponto de encontro entre o silêncio e o som […] fonte de esperança de uma nova vida, pulmão de um raça amorosa e sofrida que canta e que dança e que veste de luz a força e a magia dos seus corpos nus sob o sol, no umbigo do mundo essa é a batida que vem lá do fundo (MERCURY, 2003)

 

São Joaquim é um reflexo da identidade baiana, processos de construção social e pessoal, uma fonte infinita de anônimos em busca de um significado comum, mesmo em meio a pluralidade, todos tem o desejo de edificar, para si e em si, uma forma de conduta e expressão, independente do senso comum. O espaço geográfico sempre terá um impulso pela transformação e pela transitoriedade, que atravessa um grupo e ativa um lugar de valores, interpretação e afirmação do acervo cultural (conglomerado de relíquias). Uma síntese que dialoga entre sujeito e objeto.

A feira como cenário típico de uma constante reestruturação histórico-cultural. A intensidade das cores, formas e arranjos sociais. As poluições sonoras, olfativas, visuais compõem o espaço físico e os elementos sensoriais atuam como tradução de uma identidade coletiva. O sujo convive com o limpo, os humanos com os animais, as frutas, legumes, carnes, grãos, ervas convivem com as mãos que lidam com dinheiro, os “objetos mortos” (utensílios vendidos na feira) ganham vida no senso comum e na cultura popular dos donos das barracas.

A grande questão é observar como esse grande centro cultural, tem um papel de mobilidade e inserção na vida e nos moldes de ação de um determinado grupo, que flui nesse espaço um território de produção, seja de conhecimento, respeito, família, integração, conflitos e interatividade, uma resposta quase que instantânea.

O negro, a mulher, as crianças, a força do trabalho, a luta do povo, a correria, a pausa do dia, a alegria de um sorriso vivo e patente, uma riqueza de olhares e modos que chegam, passam e formam ruas, vielas, blocos. A sintonia das ondas chega junto com a infinidade de sabores, sons, cheiros, religiosidade, misticismo sincréticos e raça. Um grande mercado configurado em pequenas representações da diversidade baiana: envolve, intriga, fascina, comove. É lindo ver, sentir e estar, mesmo nas precariedades, a materialização das subjetividades de um povo.

A feira expressa esse lugar de formação de pontos ou forças, uma estrutura que legitima as diferenças e cria zonas de empatia. É uma grande coleção de histórias em movimento, todos querendo comprovar sua existência, fazer seu caminho, construir seu legado. Elementos de uma fuga ou um encontro, de si com o mundo ou do mundo com seus interesses. Uma tradição viva e dialética, um movimento entre povo e seu patrimônio histórico-cultural e também o entrelaçamento da tradição metafísica. Uma atividade de valoração e tradição como objeto de afirmação social, independente das interpretações externas, o que interessa é a materialização de uma expressão coletiva.

 

Loucura e Sabedoria

Filed under: Uncategorized — memoriasdacachola @ 19:11

” A loucura vê, sonha e fala aquilo que o poder oculta”

Michell Serres

 

Os lados caminham, paralelos, espirais, uma infinidade de achados que nos permitem desencontrar. Não encontrar uma razão, porque o delírio afoga, enobrece, adormece o fundo da criação. O desejo em deixar que o mal invada, não acalma, não exalta, mas, enlouquece, vicia, mata.

São fardos de uma sociedade marcada pela multiplicidade, diversidade de percepções, conceitos, formas, estética; o comportamento humano que move os mecanismos de interação e gera valores nem sempre aceitáveis.

Os indivíduos assumem papéis representativos, tornam-se ícones, símbolos de uma precariedade ou de uma fusão do físico com o sensorial, do hedônico. A loucura da ineficiência organizacional, do Estado, e a sabedoria do equilíbrio das dores, pela população.

O caso na favela de Heliópolis, a morte da adolescente Ana Cristina de Macedo, de 17 anos, morta por uma bala perdida, legitima e reforça a tensão e o desenrolar do processo de estafa social. Os manifestantes, moradores comuns, ganham voz pela ação armada e violenta. Invadidos pela loucura e pelo desespero; tomados por uma sabedoria: em reconhecer e identificar o caos social, mesmo que de maneira cruel e injustificada; em apontar as fragilidades sociais; em lutar pela sobrevivência; em assumir o papel supridor do Estado, oferecendo cesta básica; em fugir da plena aceitação; em tirar as atenções do Senado para seus problemas éticos internos e fazer os governantes enxergarem como vive o povo brasileiro. Uma função dialética: ser louco e sábio para suportar o cotidiano.

 É complexo manter o equilíbrio dos valores, do comportamento, dentro de um meio cruel, egoísta e individualista. O lugar externo ou interno é marcado pela máscara, pela inadequação e falta de um lugar. O desejo de ser louco, o desejo de ser sábio. As invasões e ocasiões; o que impera não discorre, fatia, reparte, transcende.

 

 

O corpo carnavalesco

Filed under: Uncategorized — memoriasdacachola @ 19:05

A ideia da renovação, da morte do antigo e o nascimento do novo, oriunda das festas populares, fez com que o carnaval tomasse a forma de expressão popular na qual o direito a alegria e ao desprendimento da Igreja e do Estado garantem liberdade total.

O corpo não é mais reprimido, pelo contrário, a festa celebra justamente o descompromisso, a necessidade de externar os desejos mais ocultos, de trazer para o senso comum o que talvez seja intolerável em outro momento da vida. É como no caso da professora pagodeira Jaqueline, bombardeada por críticas pela sua extrema exposição, afinal não estamos na festa da carne, e essa é uma atitude inadmissível. O que então dá ao carnaval essa forma de liberdade ilimitada de pudores?

O carnaval representa esse local de vitória e celebração, abundância sobre a guerra e a destruição. A diversidade, a miscigenação, a união dos povos, a ideia de comunhão entre classes e credos, unificados em carnais. A carne “o produto da festa”, perecível, sujeito a interferências, é o centro das atenções. O corpo e suas diferentes expressões: a sensualidade, a forma de exibição, a violência, o choque entre os homens. O corpo que movimenta e fascina. O som, as músicas, os ritmos, desperta no corpo aquilo que lhe é natural; as danças, os olhares, o levantar as mãos como sinal de aceitação ou liberdade. O jogo dos corpos.

O carnaval é a manifestação do que somos, do que gostaríamos de ser, da anormalidade virando normal, época de loucuras e ações inconsequentes. É um momento de expressar no real aquilo que vive adormecido, disfarçado no tempo comum. Talvez se estivéssemos no mês de fevereiro a professora pagodeira teria que dividir seus holofotes e manchetes com outros corpos, mas agora creio que ela já está na quarta-feira de cinzas.

 

 

 

Educação em crise 1 de setembro de 2009

Filed under: Uncategorized — memoriasdacachola @ 18:20

“Cresce o número de instituições ruins no País”, afirma manchete da revista Veja online, do dia primeiro de setembro de 2009. De acordo com o Ministério da Educação, foram avaliadas quase 2000 universidades e faculdades públicas e privadas, sendo que somente 21 delas atingiram nota considerável. A partir desse fato surge um senso de preocupação geral: Onde está o problema da educação brasileira?

Essa não é uma pergunta tão simples de ser respondida e não pode ser limitada, ela é ampla e requer envolvimento de toda a sociedade. A educação de base é algo que deve ser levado em consideração, afinal uma má iniciação na vida escolar pode desestimular uma criança no processo do conhecimento; a falta de uma boa estrutura física e docente afeta o topo dessa pirâmide educacional.

O papel do Estado também é fundamental como instrumento gestor e regulador dessas instituições, dessa maneira o funcionamento e reconhecimento dos cursos das universidades é função do Ministério da Educação, ou seja, a problemática pode estar nos critérios de concessão e avaliação do MEC. Porém também existe a responsabilidade da instituição de ensino em manter um caráter de qualificação de seus cursos, afinal serão formados novos profissionais para o mercado de trabalho.

Talvez seria bom que a bancada do Senado começasse a propor soluções sobre esse tema, ao invés de discutir sobre a permanência do “cacique político”; afinal educação deveria ser um assunto de ordem emergencial para os governantes.

A construção do conhecimento de um povo afeta diretamente na formação e no futuro de nosso País, ter isso como prioridade é minimizar a pobreza, é gerar oportunidade de crescimento pessoal, é abrir horizontes, é garantir voz e ação ao povo.