Pensando a Realidade

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Sedentarismo zero 11 de setembro de 2009

Filed under: Uncategorized — memoriasdacachola @ 15:51

Faço academia três vezes por semana. Na verdade não gosto muito de exercícios físicos, acordar cedo, aulas aeróbicas, musculação, confesso: não é algo que me dá prazer. A atividade física é indicação médica, um tratamento complementar, sinto muitas dores de cabeça, sofro de enxaqueca desde a adolescência.

Mas não é o exercício em si que me incomoda, acredito que sejam os aparelhos. Um me irrita em particular: a esteira ergométrica. Não gosto da sensação de andar, andar, andar e continuar imóvel no mesmo lugar. Pode parecer estranho, mas caminhar distâncias enormes, por um tempo exaustivo, em uma velocidade média e permanecer parado me dá indisposição.

Esse fator se agrava pelo fato de estar na esteira e ver as pessoas na rua se movendo, seguindo seu caminho, os ônibus cumprindo suas linhas, tudo muito dinâmico, e eu continuo andando parada. Não vejo uma solução clara, nem muito menos simples, afinal preciso me exercitar. Sedentarismo não faz bem a ninguém, nem a mim, nem ao Brasil.

Ainda continuo na esteira, e vem a minha mente como o nosso País se movimenta pouco, como gostamos do comodismo dos nossos sofás e camas, mesmo que isso continue nos dando dores de cabeça, não nos mobilizamos, não travamos luta contra a guerra, não reivindicamos, pelo contrários, estamos acuados. Os governantes dizem que “está tudo sobre controle” e a população continua presa em sua esteira, enquanto os bandidos se movem, queimam os bens de uso da coletividade, ferem o povo com violência e pânico.

Eu como cidadã continuo na esteira, caminhando parada, minha pulsação se eleva ao ver tamanha impunidade e despreparo policial para manter a ordem civil. Meus pensamentos fervem, queimam. Mas talvez seja preferível continuar a caminhar parada, os acontecimentos tem me desanimado a sair às ruas, fazer uma caminhada livre e em paz. O povo caminha nas limitações impostas pelo crime organizado e pela ineficiência de coerção do Estado.

Bem, vou voltar ao meu exercício, pelo menos alguma coisa eu consigo caminhando parada: amenizar a minha enxaqueca. Meu neurologista diz que isso contribui significativamente para baixar o nível de stress do dia-a-dia, o que ajuda muito a conviver com a violência urbana.

 

 
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