” A loucura vê, sonha e fala aquilo que o poder oculta”
Michell Serres
Os lados caminham, paralelos, espirais, uma infinidade de achados que nos permitem desencontrar. Não encontrar uma razão, porque o delírio afoga, enobrece, adormece o fundo da criação. O desejo em deixar que o mal invada, não acalma, não exalta, mas, enlouquece, vicia, mata.
São fardos de uma sociedade marcada pela multiplicidade, diversidade de percepções, conceitos, formas, estética; o comportamento humano que move os mecanismos de interação e gera valores nem sempre aceitáveis.
Os indivíduos assumem papéis representativos, tornam-se ícones, símbolos de uma precariedade ou de uma fusão do físico com o sensorial, do hedônico. A loucura da ineficiência organ
izacional, do Estado, e a sabedoria do equilíbrio das dores, pela população.
O caso na favela de Heliópolis, a morte da adolescente Ana Cristina de Macedo, de 17 anos, morta por uma bala perdida, legitima e reforça a tensão e o desenrolar do processo de estafa social. Os manifestantes, moradores comuns, ganham voz pela ação armada e violenta. Invadidos pela loucura e pelo desespero; tomados por uma sabedoria: em reconhecer e identificar o caos social, mesmo que de maneira cruel e injustificada; em apontar as fragilidades sociais; em lutar pela sobrevivência; em assumir o papel supridor do Estado, oferecendo cesta básica; em fugir da plena aceitação; em tirar as atenções do Senado para seus problemas éticos internos e fazer os governantes enxergarem como vive o povo brasileiro. Uma função dialética: ser louco e sábio para suportar o cotidiano.
É complexo manter o equilíbrio dos valores, do comportamento, dentro de um meio cruel, egoísta e individualista. O lugar externo ou interno é marcado pela máscara, pela inadequação e falta de um lugar. O desejo de ser louco, o desejo de ser sábio. As invasões e ocasiões; o que impera não discorre, fatia, reparte, transcende.
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